A mudança se propaga
As mudanças nunca ocorrem sem inconvenientes, até mesmo do pior para o melhor.
Tomei hoje a segunda dose. Ainda 2,5 mg, ainda quinta-feira, ainda 21h03.
O que mais me chamou atenção nesta semana foi perceber como uma mudança dessas se propaga com facilidade para outras áreas da vida.
Passei a me hidratar mais. Comecei a analisar intencionalmente o que como. E passei a reparar em quais maus hábitos podiam estar prejudicando, direta ou indiretamente, o próprio tratamento.
Minha pesagem: 103,50 kg.
Adquiri a balança de bioimpedância da Liti, que veio com duas fitas métricas para tirar minhas medidas. 116 cm de circunferência acima do umbigo.
O aplicativo também tem a função de escanear cada refeição, documentando calorias, gorduras e proteínas. E essa última, a proteína, nunca fez tanto sentido de ser acompanhada. Afinal, perder peso e perder proteína junto pode ser um problema.
Hoje meu dia começa subindo na balança. O resultado de uma semana foram 3,5 kg a menos.
Também sinto que os efeitos colaterais diminuíram — mas não porque o food noise voltou. Ele já tinha ido embora na primeira semana. O que mudou foi o alvo: agora o efeito parece mais mirado em manter esse silêncio e na sensação de saciedade, e menos naquele “BOOM” psicológico da primeira semana, um entusiasmo que chegava a parecer químico.
Talvez aquele entusiasmo todo fosse só o susto do “meu Deus, silenciou”. Agora a pergunta é outra: o que eu faço com esse silêncio?
Hoje trato o alimento como um nutriente que preciso, embora continue sentindo o gosto de uma boa refeição.
Na primeira semana senti mais “potência”, mais disposição. Mesmo assim, sigo muito mais motivado agora do que antes de começar o tratamento. Acho que é porque estou percebendo mais o silêncio que ficou — e começando a entrar em uma etapa de preencher esse silêncio com atividade física e com algo que potencialize minha recuperação.
E aqui, a palavra recuperação é intencional.
Pude perceber o quanto a obesidade, o sedentarismo e a estagnação são, de fato, um problema que precisa de tratamento. Acho que intencionalidade é algo que costuma faltar, por conta do próprio desgaste físico e emocional de quem tem a rotina desbalanceada.
E nessa altura, consigo entender o quão longe de um equilíbrio eu estava.
Antes de iniciar o tratamento, eu via que “medicar-me” seria quebrar um equilíbrio de forma desconfortável — um fator externo de mudança. Mudei esse pensamento.
O “equilíbrio” era aceitação disfarçada.
Complementando a frase da semana anterior: as mudanças nunca ocorrem sem inconvenientes, até mesmo do pior para o melhor.