Semana 2 · 2,5 mg · escrevo toda quinta
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Progresso · Semana 1 · 03 set 2026

Primeira semana da caneta

Citação da semana
Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prende.
Rosa Luxemburgo

Estava com receio de como seria essa primeira semana.

Fiz a primeira aplicação do Mounjaro, na dosagem de 2,5 mg, na barriga, às 21h03 do dia 03/09. 1,70m e 107 kg.

Fui ansioso até a farmácia. Na verdade, talvez a maior ansiedade tenha vindo antes mesmo da caneta: aquele foi o maior gasto que já tive em uma farmácia.

Comprei na Droga Raia da Trindade, em Florianópolis. Pesquisei bastante e me pareceu a farmácia com maior credibilidade da região. Paguei R$ 2.250 no combo da Lilly, com 4 canetas de 2,5 mg + 4 canetas de 5,0 mg. Parcelei em 3x.

Fiquei me perguntando se, pelo site, não teria sido melhor. Talvez conseguisse parcelar em 12 vezes.

Mas isso agora é passado.

A aplicação foi às 21h03. Durante a noite, acordei algumas vezes, agitado na cama. Mas o fato de ter tomado à noite certamente ajudou a atravessar essa primeira experiência dormindo, em vez de ficar acordado esperando alguma coisa acontecer.

Também não escolhi quinta-feira por acaso.

Parece fazer sentido, para mim, manter o efeito mais intenso no final de semana. Muitos vídeos falam sobre quinta, sexta ou sábado, mas no fim acho que isso é preferência pessoal. Tem gente que vai preferir tomar na segunda para ter um final de semana menos regrado — e está tudo bem.

Cada um vai descobrir o próprio ritmo.

Quando acordei na sexta-feira, estava sem internet em casa e o começo do dia acabou sendo um pouco caótico. Precisei ir trabalhar fora. Apesar de toda a correria, eu estava bem.

Na verdade, eu estava muito bem.

Nunca tinha me sentido tão bem há tempos.

Comecei a manhã contemplativo. Em determinado momento, ouvi alguém reclamar sobre alguma coisa do trabalho e filosofei sobre como talvez fosse melhor ter mais empatia do que simplesmente sair julgando as coisas.

Eu tava zen.

Parecia que uma nuvem de pensamentos ruins tinha ido embora.

E uma coisa curiosa aconteceu: eu não estava preocupado com o que tomaria no café da manhã, nem com qual comida gostosa teria no almoço.

Naquele dia, inclusive, acabei pulando os dois.

Minha esposa e meu filho me acompanharam, como em tudo na vida.

Voltamos para casa na fé de que a internet teria voltado.

E estávamos certos.

Trabalhei tranquilo, uma tarefa por vez, até o final do dia.

Minha reunião diária com o time é às 17h. Falei para a equipe que havia dado um primeiro passo e iniciado o tratamento, depois de utilizar o aplicativo da Liti Saúde.

E, até o momento, só tenho coisas boas para falar da Liti.

A Dra. Kelly foi muito atenciosa na primeira consulta. Eu me senti conversando com alguém que estava do outro lado da tela realmente me ouvindo — e não simplesmente tentando me vender o tratamento da empresa ou a caneta.

Ela queria me ajudar.

Naquela reunião das 17h, falei sobre tudo isso um pouco como uma justificativa e um aviso: caso nos próximos dias eu estivesse diferente ou precisasse dedicar algum tempo à minha saúde, o time já saberia o motivo.

Ao final, recebi uma mensagem do meu chefe:

“Gostaria de falar contigo ainda hoje.”

Meu coração gelou, como toda vez que alguém manda uma mensagem dessas.

Ainda mais porque ele tinha uma reunião antes de podermos conversar.

Para minha surpresa, era para me elogiar.

Ele disse que, se eu não tivesse falado na reunião que havia iniciado o tratamento, teria me perguntado se eu tinha fumado maconha.

Não porque eu estivesse lento.

Muito pelo contrário.

Eu estava me sentindo mais inteligente do que nos últimos tempos.

O que ele percebeu foi outra coisa: minha “ansiedade quase zero”.

Quando perguntou como eu estava me sentindo, respondi que parecia estar mais rápido, sem distrações.

Ele concordou com a parte do foco, mas disse que, na verdade, eu parecia mais calmo. Falando pausadamente. Sem me comportar como sempre nas reuniões diárias: me balançando, mexendo no cabelo, coçando a barba.

Foi uma percepção muito curiosa.

Terminei o dia da melhor maneira possível e então me permiti comer.

Eu tinha comprado 60 marmitas da Liv Up: 20 fitness, 20 dia a dia e 20 turbinadas. Peguei uma das de 300 g.

Consegui comer cerca de 70%.

Não tive enjoo. Nenhum efeito colateral que eu conseguisse perceber.

Tive uma boa noite de sono.

Nos dias seguintes, fui conseguindo entender melhor a dosagem das minhas refeições. Comi pouco, mas um pouquinho de tudo.

E percebi uma coisa que talvez seja mais importante do que a quantidade que eu estava comendo:

Eu passei a comer no aqui e agora.
Semana 1

Eu não estava preocupado com o tamanho da porção. Estava preocupado em senti-la.

Não fiquei pensando que precisava aproveitar enquanto estava gostoso, porque depois não teria mais. Não fiquei pensando no próximo prato. Nem em guardar espaço para alguma coisa melhor.

Eu simplesmente comi.

E isso me fez perceber que talvez a caneta não esteja apenas mudando o quanto eu como.

Ela está mudando a relação que tenho com o ato de comer.

Também passei a me hidratar melhor.

Parei com o refrigerante e passei a tomar basicamente água. Só tive vontade de água com gás no terceiro dia.

Isso, para mim, foi libertador.

A primeira palavra da minha vida foi Coca-Cola.

Fui influenciado pelo meu avô, que se declarava um “cocólatra”.

Talvez por isso seja tão simbólico perceber que, de repente, eu simplesmente não sinto falta.

A primeira semana não poderia ter sido melhor.

As pessoas ao meu redor estão orgulhosas.

Eu gostaria de dizer que estou ansioso pelos próximos passos, mas, na verdade, teria até receio de parecer ansioso.

E essa talvez seja uma das coisas mais interessantes que aconteceram comigo nesta primeira semana.

Parece que cada passo está mais prazeroso.

Que curtir o processo pode ser tão bom quanto qualquer resultado.

Ainda não me pesei de novo. Não tirei medidas. Não pesei nenhum alimento.

E tudo bem.

Tudo que senti até agora me mostrou que a balança será uma consequência.

Talvez eu tenha passado tempo demais esperando o resultado para começar a aproveitar o processo.

Agora parece diferente.

Cada dia tem sido mais leve.

E isso, por si só, já é uma grande vitória.